terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Judiciária também investiga queixa (alteração a PDM)

http://jn.sapo.pt/2007/02/06/policia_e_tribunais/judiciaria_tambem_investiga_queixa.html

j. paulo coutinho

DIAP tem processo contra o autarca por suspeita de corrupção

O autarca de Valongo terá aparentemente saído intocado das denúncias feitas pelo anterior vice-presidente, Eduardo Madeira, que serviram para o Ministério Público junto do Tribunal da Relação do Porto mandar extrair a certidão desaparecida. Só que não se livra de ter de responder a um inquérito criminal sobre eventuais condutas que indiciam a prática de crime de corrupção e de "favores especiais".

Na resposta dada pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto (DIAP) ao procurador-geral distrital, em 23 de Janeiro passado, a responsável pelo DIAP informa que existe naquele departamento um processo instaurado por corrupção, em 8 de Julho de 2005, contra o presidente da Câmara de Valongo, Fernando Melo.

Denúncia anónima

O processo foi instaurado tendo por base uma denúncia anónima, cujo processo já se encontra no Ministério Público de Valongo. Ao que o JN apurou, a Polícia Judiciária já pediu, recentemente, que fossem extraídas certidões para dar andamento à investigação.

Curiosamente, parte das peças processuais pedidas pelos investigadores da Polícia Judiciária do Porto são as mesmas que serviram ao procurador junto do Tribunal da Relação do Porto para, há cerca de três anos, mandar extrair a certidão desaparecida.

Na ocasião, Eduardo Madeira exibiu cópias de notas com o logótipo da Câmara de Valongo - pequenos manuscritos, alegadamente da autoria de Fernando Melo, em que este pede determinados favores.

Num dos manuscritos, cuja autoria é atribuída a Fernando Melo, é sugerido um favor, lembrando que "isto é do nosso secretário-geral (do PSD)" sobre a viabilidade de um posto de combustível, ou um pedido sobre a alteração do PDM com a vontade expressa "se poderia dar mais alguma coisa" a determinado empreiteiro.

Mas também existem manuscritos atribuídos ao autarca em que este manda, alegadamente, "suspender se possível, e não facilitar nada" a determinados munícipes, cujo tratamento terá de ser igual a pessoas "com quem não é possível o diálogo, nem a colaboração".

Esta documentação foi entregue pelo anterior vice-presidente de Fernando Melo, na Câmara de Valongo, e junta ao processo em que este foi condenado por difamação.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Inertes de pedreira ameaçam derrocada junto ao rio Ferreira

http://jn.sapo.pt/2007/01/27/porto/inertes_pedreira_ameacam_derrocada_j.html


Pedreira da Empresa de Lousas, em Campo, Valongo, tem um impacto brutal naquele que é considerado o "pulmão verde" da Área Metropolitana do Porto

Manuel Vitorino, Artur Machado

Um enorme aterro de inertes construído à margem da legislação ambiental ameaça o leito do rio Ferreira, na encosta da serra de Pias, em Valongo. "É uma ilegalidade e um crime", garante José Luís Pinto, vereador do Ambiente da Câmara de Valongo. "Não há perigo. Fazemos vistorias periódicas", desvaloriza Jorge Rodrigues, director da Empresa de Lousas de Valongo, cuja exploração a céu aberto, em Campo, Valongo, provoca polémica. A Inspecção-Geral do Ambiente detectou "algumas infracções a legislação ambiental" e já instaurou o respectivo processo de contra-ordenação.

Vista de cima, a cratera esventrada no subsolo deixa perceber a intensa e lucrativa extracção de ardósias, uma das riquezas minerais da zona. Nas imediações, estão os inertes amontoados em forma de aterro sem controlo e licença do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território.

"Já reparou na enorme quantidade dos entulhos? Qualquer dia pode acontecer uma derrocada e provocar danos graves no rio Ferreira e no ribeiro [de Santa Bóia]. Não é só um atentado paisagístico, antes um crime de natureza ambiental", considera Sofia de Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Valongo.

Falando ao JN no sopé da serra de Pias, e diante deste pulmão verde com 20 mil hectares, a eleita pela CDU não se conforma com a "ilegalidade" e, há dias, tentou "sensibilizar" um grupo de deputados de diferentes bancadas da Assembleia da República para os riscos causados pelo aterro de inertes. "O caso merece ser discutido e o Governo terá de intervir", defendeu.

A Junta de Freguesia de Campo também não baixou os braços e por entre ofícios, reclamações e "tomadas de posição" procura trazer à superfície a forma como os inertes são tratados "O Ministério do Ambiente terá de exigir o cumprimento da legislação. Não podemos ser cúmplices", alerta José Carvalho, autarca de Campo, Valongo.

"O caso já foi discutido várias vezes e toda a gente está de acordo. A Empresa de Lousas de Valongo não pode, apenas, retirar as riquezas do subsolo e não cumprir com as suas obrigações ambientais. Só a inércia e o laxismo têm permitido semelhante situação", concluiu.

Ultrapassada a fachada do edifício, a conversa muda de figura. "Discordo frontalmente da existência de um crime ambiental. O aterro está assente em terrenos classificados no PDM como área de indústria extractiva", justifica Jorge Rodrigues, engenheiro e porta-voz da empresa.

Este facto, porém, é contrariado pelo vereador do Ambiente, José Luís Pinto "A legalidade de um aterro não depende do tipo de uso, antes da sua autorização. E, neste caso, o aterro não está licenciado. Por isso, os inspectores do Ministério do Ambiente abriram um processo de contra-ordenação", lembrou.

Perante a agressão paisagística e visual, a Câmara de Valongo garantiu, ao JN, "tudo fazer" para devolver a qualidade ambiental da enorme mancha florestal e acautelar os interesses do concelho "O problema terá de ser solucionado", concluiu José Luís Pinto.

Entretanto, a Empresa de Lousas de Valongo afirmou ter contestado a acusação formulada pela Inspecção-Geral do Ambiente e diz "aguardar serenamente" o desfecho do processo.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Lear fecha as portas em Abril e manda 545 para o desemprego

http://jn.sapo.pt/2006/11/10/porto/lear_fecha_portas_abril_e_manda_para.html




Silêncio e tristeza na saída dos trabalhadores no dia em que a direcção anunciou o fecho da Lear


Inês Schreck

Lear fecha as portas em Abril

e manda 545 para o desemprego

Asurpresa chegou no final do almoço. Ao início da tarde de ontem, os trabalhadores da Lear Corporation, em Valongo, foram convocados para uma reunião geral, onde foram informados de que a fábrica de cablagens para automóveis vai encerrar definitivamente em Abril do próximo ano. A unidade emprega 545 operários que começarão a engrossar as filas do desemprego a partir do próximo mês.

Na hora de saída de mais um dia de trabalho, a tristeza e o silêncio. Virgínia Pedroso, há 15 anos na fábrica, foi a única a enfrentar os jornalistas. "Imaginávamos que podia acontecer, não contávamos era que fosse tão rápido", diz, ainda atordoada com a violência da notícia que recebera. À sua volta, as colegas abandonam as instalações com pressa. "Vamos falar para quê? Escrevam que isto é uma tristeza, não há mais nada para dizer", atiravam de longe.

O anúncio do fecho da Lear colocou o Ministério da Economia em alerta. O Estado, que apoiou a instalação da Lear em Portugal, fala em "incumprimento grave e definitivo do contrato de investimento". A Agência Portuguesa para o Investimento (API) nota que foram feitas recentemente auditorias formais às fábricas de Valongo, Póvoa de Lanhoso e Palmela e avisa que o incumprimento do contrato trará "todas as consequências legais e contratuais, nomeadamente em matéria de devolução dos incentivos concedidos".

A Lear, por sua vez, afirma que a decisão de fechar a unidade foi tomada há duas semanas e que "o final da produção ocorre após o fim do prazo do contrato estabelecido entre a empresa e o Estado".

Segundo fonte oficial da empresa, cujo único cliente é a marca Jaguar, a unidade de Valongo apresenta resultados negativos desde 2001. "O projecto não é economicamente viável desde essa altura", refere a mesma fonte, adiantando que a produção vai ser transferida para a Polónia, país onde a mão-de-obra custará à Lear "cerca de metade" do que custa em Portugal.

Em Junho
deste ano, a Lear de Valongo despediu 285 trabalhadores. Na altura, a empresa garantia a continuidade da produção, mas os sindicatos já temiam o pior. Hoje, a direcção e os representantes dos trabalhadores reúnem para começaram a negociar um acordo de rescisão.



Em Junho foram despedidos 285

Em Maio, a direcção da Lear de Valongo deu conta de que iria dispensar 285 trabalhadores. 182 funcionários rescindiram por mútuo acordo, os restantes 103 foram alvo de um despedimento colectivo. Entretanto, alguns operários foram acordando a saída. Actualmente há 545 efectivos que serão despedidos gradualmente a partir de Dezembro.



Indemnizações

Os trabalhadores da Lear de Valongo que rescindiram por mútuo acordo em Junho receberam uma indemnização correspondente a 1,85 salários por cada ano de trabalho. Fonte oficial da Lear afirmou, ao JN, que "não há qualquer razão para duvidar que o presente processo negocial tenha resultados diferentes" dos alcançados no passado.



Em busca de mão-de-obra mais barata

A produção de cablagens eléctricas requer grandes quantidades de mão-de-obra. Diminuir este custo de produção é o argumento da Lear para se mudar para a Polónia.



Garantias sobre a fábrica de Palmela

A Lear garante que vai manter aberta a unidade de Palmela, onde são produzidos assentos para automóveis

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Lojistas e feirantes contra concentração de supermercados

http://jn.sapo.pt/2006/09/29/porto/lojistas_e_feirantes_contra_concentr.html


António Silva lembra que os pequenos comerciantes não podem adormecer. Se o fizerem, desaparecem

Carla Sofia Luz

"Temos supermercados a mais para população a menos". O desabafo é de Alberto Silva, um dos comerciantes mais antigos do centro de Valongo. Proprietário do talho Flor da Ponte desde 1959, não esconde o desalento pela perda de receitas com a abertura de vários supermercados na cidade nos últimos anos. Quebras que são registadas, também, por outros comerciantes e pela Associação de Feirantes do Distrito do Porto. Na véspera da abertura da sétima superfície comercial no centro de Valongo, a associação protesta contra o "exagero de oferta" e lembra os elevados prejuízos dos feirantes.

"É um exagero de oferta de equipamentos comerciais. Não sei se há algum critério no licenciamento, porque não estão a levar em linha de conta os outros supermercados já existentes. Vão acabar por absorver os clientes do comércio tradicional e da própria feira de Valongo. Será o sétimo equipamento aberto todos os dias e com horário alargado. Irá aniquilar o comércio da feira", lamenta Fernando Sá, presidente da Associação de Feirantes do Distrito do Porto, assinalando que, na feira semanal que se realiza aos sábados, em Valongo, há cada vez menos comerciantes.

"Regista uma desistência da ordem dos 40%", garante.

Tradição pode acabar

O presidente da Câmara Municipal de Valongo, Fernando Melo, compreende a insatisfação dos comerciantes. No entanto, assegura que o Município está a cumprir as regras da livre concorrência ao autorizar as unidades.

"Existem regras nacionais e internacionais da livre concorrência. A Câmara de Valongo, com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a Direcção-Geral de Economia, aprovaram a localização das unidades, de acordo com essas regras. As pessoas não ficam satisfeitas e eu compreendo, mas terão de adaptar-se aos novos conceitos e à evolução que o Mundo sofreu. As unidades não podem ser proibidas", argumenta o autarca. Fernando Melo destaca os benefícios da livre concorrência "Quem oferecer os melhores serviços é que sobrevive. Quem beneficia é o consumidor".

Para os comerciantes e feirantes de Valongo, o problema reside na concentração de superfícies comerciais numa área geográfica reduzida. "Num meio tão pequeno, são supermercados a mais. Nós, pequeninos, precisamos de manter a qualidade dos produtos e nunca adormecer, caso contrário acabam com o comércio tradicional", sentencia António Silva, que, há 31 anos, vende produtos tradicionais e de mercearia n'O Cafezeiro, no coração da cidade. Para o lojista, a simpatia e a qualidade ainda são trunfos fundamentais para a fidelização de clientes.

Contudo, denuncia o receio de sobrevivência ao olhar para o futuro, porque a concentração de supermercados também mexeu com as contas da sua loja. "O meu medo é que os clientes antigos estão a acabar e esta juventude já não liga a tudo isto. Por exemplo, nós vendemos café ao quilo. Essa tradição pode acabar. Antigamente, vendia 800 quilos de café por semana. Agora, são 120 quilos", conta.

Fernando Sá não afasta a hipótese de lançar um desafio aos feirantes e comerciantes para, em sinal de protesto, se concentrarem à porta do supermercado Modelo no dia da abertura.

sábado, 2 de setembro de 2006

Grande Porto tem metade do desemprego do Norte (o caso de Valongo)

http://jn.sapo.pt/2006/09/02/porto/grande_porto_metade_desemprego_norte.html

Fernando Timóteo

Desemprego com números preocupantes na Área Metropolitana

Hugo Silva

Os 14 municípios da Grande Área Metropolitana do Porto (GAMP) concentram cerca de metade (100 059) do total de de-sempregados da Região Norte do país (203 615). De acordo com os mais recentes dados do Instituto Português de Formação Profissional (IEFP), referentes ao final de Junho passado, Vila Nova de Gaia, o concelho mais populoso da GAMP também é aquele que apresenta maior número de desempregados 22 814. Porto, com 13 971, e Gondomar, com 10 813 completam o trio de municípios no topo de lista.

Por sua vez, Arouca (638), S. João da Madeira (1081) e Espinho (2442) são os concelhos com menor número de pessoas à procura de emprego, sendo que também são dos que apresentam menor índice de população residente.

Os dados disponibilizados pelo IEFP indicam, ainda, que há 8953 desempregados em Matosinhos, 7680 em Santa Maria da Feira, 7399 na Maia, 6934 em Santo Tirso, 5940 em Valongo, 4787 em Vila do Conde, 3353 na Póvoa de Varzim e 3254 na Trofa. No conjunto dos 14 concelhos verifica-se que a maioria das pessoas sem emprego são mulheres 56 745. O número de homens à procura de trabalho fica-se pelos 43 314.

Caso de Valongo

Ontem, o BE alertou para o caso específico de Valongo, suja subida da taxa de desemprego é assinalável. De acordo com um comunicado enviado à Lusa, a estrutura concelhia daquele partido alerta para o facto do valor percentual do desemprego, em Valongo, ultrapassar em 5,15% a média nacional. Refere o BE que a taxa valonguense ascende aos 13,15%, enquanto a média do território nacional se fica pelos 8%.

Segundo o mesmo documento, o Centro de Emprego de Valongo registou 575 novos casos, enquanto as ofertas de emprego foram apenas 93 e as colocações concretizadas 66. No texto, divulgado a propósito da Marcha pelo Emprego - iniciativa do BE que também passará por Valongo, explicita-se que o tecido empresarial do concelho é dominado por microempresas "com imensas limitações de gestão e tecnologias" e que as próprias multinacionais "revelam total vulnerabilidade aos processos de deslocalizações".

"Obras de fachada"

O BE também responsabiliza a Câmara Municipal de Valongo, liderada pelo PSD, pela actual situação revelada num diagnóstico social coordenado pela própria autarquia.

"Gastou-se dinheiro que havia e não havia em obras de fachada e não se apetrecharam as zonas industriais com as infra-estruturas necessárias. Criaram-se lugares para assessorias no poder, mas não se pensou em planos de apoio a desempregados e criação de apoio público para a população", sentenciou, ainda, o BE, no texto divulgado pela Lusa.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Fogo de Valongo não pára

http://jn.sapo.pt/2006/08/09/nacional/fogo_valongo_para.html

Bombeiros estão desde segunda-feira a combater fogo de Valong

Ana Sofia Coelho, Filipa Poceiro, Helena Silva, José Carlos Maximino e Pedro Antunes Pereira *

Passadas 38 horas, o fogo de Valongo continuava por circunscrever. Eram já 19 horas e ainda era visível fumo na serra de Pias, em Valongo. O incêndio que deflagrou anteontem às 6.20 horas e se prolongou para algumas serras de Gondomar, reacendeu na noite de ontem junto à estrada D. Miguel, em São Pedro da Cova. As chamas foram combatidas por várias corporações de todo o país, mobilizando 314 homens e 102 veículos.

Em Aguiar de Sousa (Paredes), o fogo também não deu descanso aos bombeiros. Durante a madrugada de ontem, o incêndio alastrou-se até Gondomar. " Perto do campo de futebol de São Pedro da Cova não se podia ver nada com o fumo", descrevia José Silva, residente na Rua de Rio Ferreira, no concelho gondomarense.

Estes eram dois dos cinco incêndios que estavam por circunscrever no final de um dia com bastantes ocorrências, embora em número muito inferior relativamente aos dias anteriores.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Centro de Saúde de Ermesinde avança

http://jn.sapo.pt/2006/05/04/porto/centro_saude_ermesinde_avanca.html

A construção do futuro Centro de Saúde de Ermesinde/Alfena, em Valongo, deve arrancar já no próximo Verão, mais concretamente em finais de Julho. A previsão é da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN), que abriu na passada semana o concurso público para a edificação do equipamento que servirá cerca de 30 mil habitantes das freguesias de Alfena e de Ermesinde, sendo que a maior parte dos utentes será da primeira.

O prazo de execução das futuras instalações, na Rua da Bela, em Ermesinde, é de 15 meses e o preço-base do concurso público é de 1,47 milhões de euros. Segundo o JN apurou junto de fonte da Sub-Região de Saúde do Porto, a nova unidade representará um "grande salto qualitativo" em relação aos actuais centros de Ermesinde (que deverá continuar a funcionar) e de Alfena, que se encontram "subdimensionados".

O Centro de Ermesinde/Alfena será dotado, entre outras valências, de três unidades de saúde familiar, com um total de 13 médicos, bem como de 20 gabinetes médicos. "Terá todas as condições exigidas a um centro de saúde moderno", garante a ARSN. Se a tramitação do concurso público decorrer normalmente, a obra deve avançar já Julho e deverá estar concluída no último trimestre do próximo ano.

Contactado pelo JN, Fernando Melo, presidente da autarquia, congratulou-se com o avanço do processo, mas lamentou ter tido apenas conhecimento da abertura do concurso público através do anúncio publicado na Imprensa. "Não houve qualquer contacto ao nível governamental ou da ARS", criticou, admitindo ainda que preferia a construção de duas unidades de saúde, uma em cada freguesia. Nuno Silva

30 mil habitantes das freguesias de Alfena e de Ermesinde passarão a ser servidas pela futura unidade de saúde do concelho. 15 meses é o prazo para a execução da empreitada, que deve arrancar já neste Verão, segundo a previsão da ARS.

sábado, 8 de abril de 2006

Um depósito de resíduos "vizinho" de um ecocentro

http://jn.sapo.pt/2006/04/08/porto/um_deposito_residuos_vizinho_um_ecoc.html

alfredo cunha

Lixeira a céu aberto envolve Ecocentro de Valongo e acolhe os resíduos que não têm lugar no espaço

Patrícia Alves Tavares

É mais uma lixeira a céu aberto, mas tem a particularidade de "cercar" um ecocentro, em Valongo. São cerca de 200 m2 de resíduos industriais, nomeadamente pneus e materiais provenientes da construção civil, que não são aceites por aquela unidade de recolha de lixo e, por isso, são lançados mesmo no terreno ao lado...

Segundo o JN apurou, empresas e particulares deslocam-se frequentemente ao equipamento camarário, com o intuito de deixarem os "entulhos" para serem posteriormente reciclados. No entanto, neste espaço só são aceites resíduos como plásticos, cartão, vidro, madeiras, ferro e os chamados "monstros" domésticos (sofás, colchões, frigoríficos).

Ou seja, os designados "entulhos" não têm lugar no Ecocentro de Valongo e caricatamente são largados, durante a noite, no terreno que envolve o referido espaço. O terreno, que segundo populares, pertencerá à autarquia, já foi alvo de algumas limpezas junto à entrada do estaleiro.

A restante zona continua a servir de "ecocentro" para os resíduos "excluídos", aumentando os riscos para os habitantes do Bairro do Calvário, em caso de incêndio. O bairro divide parte do seu espaço com a lixeira, o que traz "inúmeros perigos para quem ali mora, especialmente no Verão, porque devido à ausência de limpeza do terreno e, em caso de incêndio, os resíduos propiciam o alastramento das chamas", referem os populares.

Contactado pelo JN, o pelouro do Ambiente da Câmara referiu "ter conhecimento da situação" e que pretende "fazer a limpeza do local". No entanto, recusou-se a esclarecer quem são os proprietários do terreno e o porquê de o ecocentro (quase vazio) não aceitar todo o tipo de lixos.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Alargamento da A4 até Ermesinde

http://jn.sapo.pt/2006/03/06/grande_porto/alargamento_a4_ermesinde.html


trânsito Deputados do PSD pedem soluções para combater as dificuldades para circular na auto-estrada

Dois deputados social-democratas eleitos pelo Porto apresentaram um requerimento na Assembleia da República solicitando ao Governo soluções que permitam pôr fim aos congestionamentos de tráfego na A4 (Porto/Amarante), nomeadamente junto ao túnel de Águas Santas e ao troço até Ermesinde.

No documento, os deputados Agostinho Branquinho e Jorge Costa solicitam ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que encontre "soluções para eliminar o constrangimento provocado pelo túnel".

Argumentando que esta auto-estrada representa uma acessibilidade fundamental na Área Metropolitana do Porto (AMP) e que é percorrida, todos os dias, por dezenas de milhar de veículos, os social-democratas defendem o alargamento do lanço entre Águas Santas e Ermesinde.

Governo não decide

Para os deputados, os constrangimentos que se verificam têm a sua origem mais próxima no estrangulamento que constitui o túnel de Águas Santas, próximo do nó com a A3 (Porto/Braga), e na não execução de obras de alargamento do dito lanço.

"O Governo descurou completamente este processo ao não lhe dar a atenção que a importância da obra exigia e que as populações a servir mereciam", acusam os parlamentares. Os deputados afirmam ainda que "o Governo teima em não decidir em tudo o que diga respeito a acessibilidades à região do Porto".

Agostinho Branquinho e Jorge Costa lembram que a situação, "já hoje insuportável, será brevemente agravada" com a entrada em serviço do lanço da A4, entre Águas Santas, onde agora termina, e o nó de Sendim, em Matosinhos, em construção.

quarta-feira, 1 de março de 2006

'Greve' à multa continua nos parquímetros

http://jn.sapo.pt/2006/03/01/grande_porto/greve_a_multa_continua_parquimetros.html

estacionamento Câmara e concessionária reúnem hoje por causa da polémica subida do custo

Nuno Silva

A "greve" à multa continua, em Valongo e em Ermesinde. A polémica subida do custo dos parquímetros (de 30 para 50 cêntimos/hora) será discutida, hoje, numa reunião entre a Câmara e a administração da empresa que explora o estacionamento no concelho. Fonte da autarquia confirmou a realização do encontro com responsáveis pela "Construções Europa Ar-Lindo" e sublinhou que os fiscais municipais continuam com instruções para não multarem os infractores - a forma encontrada para reagir ao aumento "surpresa" do tarifário.

Contactada pelo JN, a empresa limitou-se a afirmar que "está a ser respeitado o contrato com a Câmara". Um argumento que não convence a autarquia, que já admitiu mesmo revogar a concessão e levar o caso para tribunal.

Reacções distintas

Certo é que a subida dos custos do estacionamento está a motivar reacções distintas entre os automobilistas, em Valongo e Ermesinde. Enquanto uns foram apanhados de surpresa, outros mal deram conta da diferença e houve também os que simplesmente estacionaram os veículos sem colocar a moeda, por saberem da "greve" que os fiscais camarários estão a fazer à multa.

Cecília Amorim, por exemplo, admitiu não se ter apercebido da mudança, mas não deixou de criticar a forma como os parquímetros estão distribuídos. "Não há um sítio em Ermesinde onde se possa deixar o carro sem pagar. Assim as pessoas deixam de cá vir", lamentou, classificando a instalação de parquímetros como "a maior estupidez de todos os tempos".

"O preço aumentou?"

Apoiado numa bengala, Serafim Rocha, que em Abril faz 78 anos, puxada moeda de 50 cêntimos para "comprar" uma hora de estacionamento. Os lugares destinados a deficientes estavam ocupados. O reformado também desconhecia a polémica em torno do tarifáro"O preço aumentou? Não sabia. Costumo pôr sempre 50 cêntimos".

"Já não bastava termos o imposto municipal de circulação... Enfim, têm que se arranjar fontes de receita de qualquer maneira", desabafou por sua vez Joaquim Silva, que tinha acabado de deixar o veículo numa zona de estacionamento pago, próximo à estação de Ermesinde.

Notas

Pagamento

O estacionamento é pago entre as 8.30 e as 20 horas nos dias úteis e das 8.30 às 13 horas, aos sábados. Aos feriados e domingos é gratuito. Cada hora custa 50 cêntimos.

História

Em Abril do ano passado, a Câmara de Valongo aprovou a redução do custo dos parquímetros de 60 para 30 cêntimos. Na semana passada, a concessionária subiu o preço para 50 cêntimos.

Desprevenidos "Fomos apanhados desprevenidos. A empresa diz que procedeu ao aumento de acordo com o contrato de concessão, mas o aumento deveria ter sido ratificado pela Câmara". Foi assim que Fernando Melo, presidente da autarquia, reagiu à subida do preço dos parquímetros, acrescentando que o assunto está a ser analisado pelos juristas. A matéria dominou a última Assembleia Municipal. O PS falou em "braço de ferro".