http://jn.sapo.pt/2008/05/21/porto/750_postos_trabalho.html
A nova zona empresarial de Alfena deverá ocupar 56 hectares, envolvendo um investimento na ordem dos 100 milhões de euros, contabilizou Arnaldo Soares, sublinhando que deverão ser criados 750 postos de trabalho. Por ficar numa zona menos populosa, ali poderão instalar-se indústrias ligadas à produção, explicou o presidente da Junta de Alfena. Arnaldo Soares salvaguardou que a actual zona industrial vai manter-se, mais vocacionada para áreas de armazenagem e de comércio por grosso. "Fica numa zona muito urbana", lembrou o autarca, justificando a necessidade de se apostar em sectores que perturbem menos a envolvente. O presidente da Junta esclareceu, ainda, que o novo parque empresarial será criado no âmbito de um fundo de investimento.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
750 postos de trabalho (nova zona empresarial em Alfena)
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Aterro continua a crescer quase no centro da cidade
| http://jn.sapo.pt/2008/05/16/porto/aterro_continua_a_crescer_quase_cent.html JOSÉ CARMO |
| Despejos são diários no aterro a céu aberto. Câmara diz que fez tudo o que podia para o fechar |
Reis Pinto
Sete anos, 33 contra-ordenações, três embargos e uma posse administrativa não foram ainda suficientes para impedir o crescimento de um aterro ilegal perto do centro de Valongo. "Isto mostra o pouco entusiasmo com que a Câmara tem encarado a resolução do problema", afirmou, ontem, na reunião pública da Autarquia, a vereadora eleita pelo Partido Socialista, Maria José Azevedo. José Luís Pinto, vereador do Ambiente, considerou que "tem sido feito um bom trabalho", reconhecendo, no entanto, que o responsável pelo aterro (e, também, por uma britadeira e uma sucata ilegais) tem desrespeitado todos os embargos e posse administrativa decretados pelo Tribunal.
O aterro fica face à A4 e junto à Avenida do Dr. Fernando Melo e, em meia dúzia de anos, atingiu uma altura de cerca de 10 metros.
"Os nossos fiscais têm ido lá todos os sábados de manhã. Quando nos vêem chegar, param tudo e nem camiões passam. A verdade é que a Câmara não pode fazer mais nada, pois o indivíduo não cumpre as ordens do Tribunal", admitiu José Luís Pinto.
O terreno e a britadeira já foram selados mas, no dia seguinte, o empresário "retoma a actividade"."Elaborámos um plano integrado para a zona, prevendo a vedação dos acessos e a urbanização do terreno e pedimos a ajuda da PSP, que afirma não ter elementos", afirmou José Luís Pinto.
Novos poderes
Maria José Azevedo, que havia pedido um balanço das infracções cometidas pelo dono do aterro, responsabilizou a Autarquia pela situação.
"As 33 contra-ordenações [cinco ocorrências com a britadeira e uma com a sucata] em seis anos, são um número insignificante. A dimensão, a manifesta ilegalidade e o conhecimento público do que ali se faz revelam que a Câmara de Valongo peca por omissão", afirmou a vereadora.
A eleita pelo PS sublinhou que a Câmara tem mais poderes, desde Setembro passado, por via de alteração legislativa. "Sozinha, ou em parceria com as autoridades, como o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR, o Ministério do Ambiente e outra entidades, poderia tomar medidas preventivas, como tapar acessos, vedar o terreno, apreender veículos, afixar cartazes de proibição e elevar o valor das coimas, que podem atingir os 40 mil euros", sublinhou.
Alertando para o "atentado ambiental" e a "manifesta desobediência do infractor, com a complacência da Câmara", Maria José Azevedo considerou que "bastaria um processo diário, à taxa máxima, para o proprietário do terreno pensar duas vezes".
José Luís Pinto recordou que "a PSP diz que não tem meios e, aparentemente, o Ministério Público também não".
domingo, 11 de maio de 2008
CDU denuncia "projecto ilegal"em Ermesinde
http://jn.sapo.pt/2008/05/11/porto/cdu_denuncia_projecto_ilegalem_ermes.html
A CDU de Valongo anunciou que vai enviar documentação para o Ministério Público relacionada com eventuais ilegalidades num processo urbanístico "pouco claro" que envolve a Junta de Ermesinde e a Câmara de Valongo.
Em causa está uma permuta de terrenos entre os dois órgãos autárquicos assente "num conjunto de pressupostos validados democraticamente pela Assembleia de Freguesia que, aparentemente, terão sido depois contravertidos à revelia daquele órgão e em claro prejuízo do interesse público".
Em conferência de imprensa, a CDU de Valongo explicou que se trata de um terreno junto ao Parque Urbano onde a Junta pretendia construir a sua sede. Afirmando que não permitiria que nesse terreno fosse construído qualquer edifício, porque estava em causa uma área a ser integrada no Parque Urbano, a Câmara de Valongo terá proposto à Junta a troca por outro terreno onde agora se encontra o edifício-sede deste último órgão autárquico.
Segundo a CDU/Valongo, o acordo foi ratificado em reunião de Câmara a 30 de Setembro de 1998 e, posteriormente, na Junta e na Assembleia de Freguesia a 1 de Outubro de 1998 e a 16 de Outubro do mesmo ano.
Segundo esse acordo, na área sobrante do terreno, e depois de construído o novo edifício da Junta, tudo o que poderia ser construído seria um edifício para equipamento com o máximo de um piso.Contudo, acrescenta a CDU, aquando da recente apresentação de um Plano de Pormenor para o centro de Ermesinde, "ficámos a saber que, para o terreno nas traseiras da Junta, se prevê agora a construção de um prédio com vários andares".
Estes dados causaram "imediata estranheza", o que levou a CDU a procurar a documentação relativa ao processo. "Constatámos, então, que nada foi aprovado na Câmara, Junta ou Assembleia de Freguesia, contrariando o acordo de 1998", refere ainda a CDU.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Portugal tem meio milhão de casas vagas, a maioria na Região Norte
Plano Estratégico de Habitação é entregue hoje aos municípios Reabilitação e arrendamento
Em Portugal, o peso da reabilitação de edifícios é de apenas quatro por cento, enquanto na Europa atinge os 40 por cento. O Plano Estratégico de Habitação, entregue hoje aos municípios, quer mudar esta realidade, apostando forte na recuperação e no arrendamento. Pedro Tavares (foto)
O Plano Estratégico de Habitação vai apostar forte no arrendamento e na reabilitação, em detrimento da construção de casas novas, segundo as propostas técnicas a que a Lusa teve acesso. As recomendações da equipa técnica que está a elaborar o plano, que serão apresentadas hoje aos municípios, consideram igualmente a parceria público-privada “indissociável” das políticas de habitação e apontam a necessidade de ajustar a oferta à procura de casas, aproveitando melhor o stock habitacional existente.
Os responsáveis pelo documento já tinham apresentado em Outubro um diagnóstico que apontava para a existência de cerca de 1,6 milhões de fogos a precisar de pequenas e médias reparações e definia como prioridade o realojamento de mais de 160 famílias a viverem em casas sem condições de habitabilidade. A sobrelotação de casas (mais de meio milhão) e a existência de famílias alojadas em situações precárias foram os elementos que permitiram aos técnicos concluir pela necessidade de 200 mil fogos em Portugal e de obras em 190 mil.
“O diagnóstico é assustador. Em Portugal o peso da reabilitação de edifícios é de apenas quatro por cento, enquanto noutros países europeus ela atinge os 40 por cento”, reconheceu Nuno Vasconcelos, presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). O responsável sublinhou ainda a “mudança de paradigma” neste programa estratégico: “Há uma alteração significativa, pois passa-se de um grande peso da construção para um maior investimento na reabilitação, com a aposta nas parcerias público-privadas, e no arrendamento, que é essencial para a mobilidade”.
“Este não é um documento fechado. É um conjunto de sugestões de uma equipa técnica independente que agora entra em fase de discussão pública, que começa pelas autarquias”, afirmou. Nuno Vasconcelos considerou ainda as autarquias como “um parceiro essencial” na área da habitação, devido à importância dos Programas Locais de Habitação, “que podem trazer maior coordenação e uma visão mais global, contribuindo para uma política mais consistente”.
Os técnicos propõem uma “mudança de rumo” na forma como são equacionadas as políticas de habitação, privilegiando o regime de arrendamento, no mercado público ou privado, e aproveitando as sinergias do mercado privado no que respeita à aquisição de alojamentos, reabilitação e arrendamento destinados a populações com mais baixos recursos.
Sugerem ainda a aquisição pública de imóveis para arrendamento a famílias de baixos recursos e, para dinamizar o mercado do arrendamento, o recurso a uma bolsa de habitação (a criar) regional que articule proprietários e arrendatários.
Apontam igualmente para uma maior responsabilização dos inquilinos quanto à conservação das habitações e dos espaços comuns dos edifícios.
No diagnóstico da situação habitacional portuguesa, a equipa técnica aponta algumas falhas ao Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU), nomeadamente o atraso na sua concretização e “desajustamentos de alguns aspectos”, sem pormenorizar, e propõem a reavaliação e monitorização do programa.
Na área da reabilitação, ganham força os processos de renovação ou regeneração de áreas peri-urbanas onde os problemas de degradação não residem apenas nas habitações, mas envolvem igualmente as condições sociais e do ambiente urbano, à semelhança do programa Bairros Críticos, que abrange a Cova da Moura (Amadora), Vale da Amoreira (Moita) e Lagarteiro (Porto).
Os técnicos sugerem igualmente uma hierarquização das prioridades na reabilitação do parque habitacional público, face à degradação existente, e defendem que a recuperação destas casas deverá estar integrada numa estratégia global dos Programas Locais de Habitação, que definirão as prioridades dos municípios nesta área.
Segundo as recomendações técnicas, os municípios deverão preferencialmente organizar-se em associações ou empresas inter-municipais para elaborar estes programas, que fixarão objectivos para um período de tempo determinado. A existência destes programas passará a funcionar como critério de prioridade para os financiamentos públicos e os técnicos sugerem que progressivamente deverá ser estudada a possibilidade de organização de um sistema de elegibilidade de âmbito nacional para garantir equilíbrio e justiça na distribuição dos recursos.
É ainda proposto uma maior vigilância das políticas de habitação e dos seus impactes, trabalho que caberá ao IHRU, através do Observatório da Habitação e Reabilitação Urbana.
Encontrar as mais adequadas soluções habitacionais a custos controlados, bem como de reabilitação e qualificação do parque habitacional existente e de reanimação do mercado de arrendamento são outros dos objectivos do Observatório.
As sugestões foram elaboradas por uma equipa técnica com especialistas do Instituto Superior de Ciências do trabalho e da Empresa (ISCTE), da Universidade do Porto/IRIC e do IHRU. O documento entrará agora em debate público e só depois será definido o documento final do primeiro Plano Estratégico de Habitação, que traçará as prioridades da política habitacional em Portugal até 2013.
“Haverá mais fóruns de discussão depois deste, sobretudo para sensibilizar todos os parceiros. O nosso desejo é ter o processo concluído até final do ano, mas não vamos condicionar a discussão com datas”, afirmou o presidente do IHRU.
Além de defender uma maior distinção entre as políticas de habitação e as políticas sociais, apoiando em função das necessidades concretas de cada família, a estratégia de habitação proposta para o período 2008/2013 favorece a mobilidade geográfica e profissional, procurando soluções mais flexíveis ao nível da habitação e valorizando as melhores formas de integração urbanística.
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Contas do rendimento
De acordo com os cálculos efectuados pelos técnicos, um rendimento anual bruto de 13.859 euros é o mínimo que permite o acesso ao mercado privado. Segundo estes pressupostos, uma família que ganhe por mês o equivalente a dois salários mínimos nacionais (SMN) consegue comprar uma habitação na maioria das NUTS III do país. Ao contrário, o acesso à compra de habitação na maioria dos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa está vedado às famílias que não tenham mais do que dois SMN. O concelho de Lisboa e os concelhos vizinhos da margem Norte ocupam os lugares cimeiros no ranking: o “limiar de acessibilidade” em Cascais é 3,3 SMN, seguido de Lisboa (três SMN), Oeiras (2,9) e Odivelas (2,6). Sobre o endividamento das famílias, os técnicos consideram que apesar de Portugal estar entre os países da UE15 com maior peso do endividamento dos particulares, os níveis de incumprimento no crédito à habitação ficam aquém dos da maioria dos países europeus.
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Limiar de acessibilidade
Os técnicos que estão a elaborar o Plano Estratégico de Habitação propõem fixar um limite de rendimento anual a partir do qual as famílias ficam fora das políticas de habitação porque podem comprar casa no mercado privado. De acordo com as propostas, este “limiar de acessibilidade” ao mercado de habitação ajudará a concretizar uma política de habitação “que privilegie os grupos com menores rendimentos”. Tendo em conta as diversas variáveis a considerar neste cálculo e a diversidade de preços das habitações em Portugal (o preço do metro quadrado em Lisboa é o dobro do praticado na serra da Estrela), os técnicos propõem limites a nível regional e municipal.
Tribunal de Valongo vai ter novas instalações em 2009
http://jn.sapo.pt/2008/05/08/porto/novo_tribunal_nascera_ajuda_privados.html
| j. paulo coutinho |
| Tribunal funciona em edifício de habitação e comércio |
Hugo Silva
Onovo tribunal de Valongo vai nascer de mais uma parceria público/privada. O edifício será construído por uma empresa, que passará a receber uma renda do Estado pela ocupação do imóvel. O processo está no Ministério das Finanças e deverá receber luz verde em breve, revelou Afonso Lobão, porta-voz da concelhia de Valongo do PS, que ontem esteve reunida com o secretário de Estado da Justiça, José Conde Rodrigues, e com deputados socialistas eleitos pelo círculo do Porto.
Segundo Afonso Lobão, o concurso público para escolher a empresa privada que participará na operação deverá ser lançado em finais deste mês ou princípios de Junho. As obras devem avançar no terreno no próximo ano.
A solução encontrada para Valongo é idêntica à que será concretizada para a construção do campus da Justiça do Porto. Os privados constroem e ficam como proprietários dos imóveis, pelos quais receberão uma renda do Estado. Sem esta solução, não seria possível fazer qualquer novo tribunal de raiz, referiu Afonso Lobão, citando os esclarecimentos prestados por José Conde Rodrigues.
"As verbas do orçamento geral do Estado, 13 ou 14 milhões de euros, só dão para obras de manutenção e de reparação em tribunais que carecem de intervenções pequenas. A construção de novos tribunais não seria possível sem a colaboração de privados", observou Afonso Lobão. "Ao contrário de outros ministérios, o da Justiça nunca recorreu a fundos comunitários", acrescentou, em declarações ao JN.
Câmara deve empenhar-se
Admitindo que as actuais condições do Tribunal de Valongo "não são admissíveis", Afonso Lobão congratulou-se com o facto de um problema com mais de uma década estar em vias de resolução, embora não soubesse precisar onde será construído o novo equipamento. O socialista alertou que a Câmara (liderada pelo PSD) também tem que se "empenhar" no processo.
Afonso Lobão explicou que a reunião de ontem teve como objectivos sensibilizar o secretário de Estado da Justiça para a necessidade de uma "solução urgente" e para demonstrar-lhe a "importância" de um novo tribunal em Valongo.
Estado vai deixar de construir bairros sociais
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1328070&idCanal=57
| Nelson Garrido (arquivo) |
| Mudança de rumo na política de habitação social |
Esta é uma das propostas incluídas no Plano Estratégico da Habitação (PEH), um documento que prevê uma alteração profunda nas políticas públicas, em que o Estado é retirado do seu papel de interventor directo e provisor das populações, para o colocar em funções de maior regulação e fiscalização. O papel principal vai ser atribuído às câmaras e a materialização da estratégia deverá dar lugar a muitas parcerias público-privadas.
O documento, elaborado por uma equipa técnica multidisciplinar [integrada, entro outros, por Nuno Portas, Augusto Mateus e Isabel Guerra] vai entrar em debate público, e começa hoje a ser discutido com as câmaras municipais. Quando estabilizado, as propostas do primeiro Plano Estratégico de Habitação vão definir as prioridades das políticas públicas de habitação até 2013.
A aposta nos mercados do arrendamento e da reabilitação aparecem como fundamentais nesta estratégia - mas essa não é a novidade, já que há varios anos, e tambem desde que o actual Governo tomou posse, que se defende uma revolução para estes dois mercados, ainda muito estagnados.
As novidades materializam-se, antes, nas propostas concretas para o realizar (ver textos nestas páginas) e que passam pela aquisição pública de imóveis para serem colocados no mercado de arrendamento, e a aplicação de critérios e de programas de apoio semelhantes àqueles que estão já em vigor - como o Porta 65 Jovem (que substituiu o antigo Incentivo ao Arrendamento Jovem) e que tem sido, aliás, alvo de muita contestação. É o caso da criação de uma bolsa de habitação e mobilidade.
Um outro vector que assume muita preponderância na proposta do plano estratégico é o da habitação a custos controlados (HCC), a modalidade a que as autarquias normalmente recorrem para resolver as necessidades habitacionais dos seus concelhos, e que poderão receber novas roupagens. O número de famílias inscritas nas câmaras municipais para pedidos de alojamento em habitação social está muito próximo do número de fogos que foram construídos, para esses fins, durante quase duas décadas: entre 1986 e 2005 foram construídos mais de 61 mil fogos para habitação social; o número de famílias actualmente inscritas nas câmaras municipais chega às 50 mil.
São os municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto que registam listas mais extensas, mas as carências habitacionais estão muito longe de estar circunscritas às áreas metropolitanas. A expectativa da tutela é que, a partir de 2009, as câmaras possam, isoladas ou em estruturas intermunicipais, apresentar a concurso os seus Programas Locais de Habitação, a principal novidade deste plano estratégico e que obriga as autarquias a apresentarem estratégias de médio prazo em vez de pedidos de apoios financeiros para recuperar casas e construir bairros.
Estas propostas trazem alterações muito relevantes em termos de alteração do modelo de financiamento e do modelo de governance da politica social de habitação, através da descentralização e da contratualização com terceiros", sintetizou João Ferrão, mostrando-se optimista com a adesão dos municípios: "Já há autarquias alinhadas com estas preocupações. Outras demorarão mais tempo. Serão reacções diferentes, também porque os municípios tem problemas diferentes".
Apoios circunscritos às áreas de reabilitação urbana
Até ao fim deste ano, deverá estar concluída a redacção de dois importantes instrumentos que vão enquadrar a reabilitação de edifícios: o programa ProReabilita, que vai estabelecer os sistemas de apoios públicos para financiamento da reabilitação; e o novo regime jurídico da reabilitação urbana. "Temos expectativa que estes dois instrumentos possam fazer a diferença", afirmou João Ferrão, secretário de Estado do Ordenamento do Território, que tutela a política de habitação.
É com a entrada em vigor destes dois instrumentos que poderão ser materializadas algumas das propostas vertidas no documento que vai começar hoje a ser discutido com as câmaras municipais. Até porque serão elas quem terá, também aqui, o principal papel: tanto o ProReabilita como o novo regime jurídico verão o seu âmbito de intervenção circunscrito às zonas de reabilitação que venham a ser definidas pelas câmaras municipais como "Área de Reabilitação Urbana".
Os processos de renovação e regeneração das áreas peri-urbanas, em que existem problemas não exclusivamente nas habitações, mas que envolvem o próprio ambiente urbano, serão também privilegiados. É sugerida uma espécie de multiplicação da iniciativa Bairros Críticos que esta a ser aplicada na Cova da Moura (Amadora), Vale da Amoreira (Moita) e Lagarteirto (Porto).
A reabilitação do parque habitacional público deverá ser submetido a uma hierarquização de prioridades, concretizadas e integradas numa estratégia global a definir por cada município, nos seus Programas Locais de Habitação. Será a existência deste programa que dará prioridade aos financiamentos públicos. "A introdução dos procedimentos concursais visa, aqui, premiar o mérito e a qualidade", explicou João Ferrão.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Câmara vai gastar 25 milhões em escolas
http://jn.sapo.pt/2008/04/30/porto/camara_gastar_milhoes_escolas.html
A Câmara Municipal de Valongo vai investir, até meados do próximo ano, cerca de 25 milhões de euros na construção de nove escolas do Ensino Básico e pré-escolar e na requalificação de praticamente todo o parque escolar daqueles níveis de ensino. O anúncio foi feito, ontem, pelo presidente da Autarquia, Fernando Melo, durante a inauguração da Escola EB1/JI de Valongo, que se encontra a funcionar, desde o passado dia 1, com uma sala de ensino pré-escolar.
"O plano irá satisfazer, até finais do próximo ano, todas as necessidades da população ao nível do Ensino Primário e Pré-escolar. No final desta mega-intervenção, o parque será composto por 32 escolas - todas com Ensino Básico e jardim-de -infância -, 32 refeitórios e 292 salas de aula. O investimento irá permitir acabar com os horários duplos e disponibilizar a todos os alunos o usufruto pleno das actividades extracurriculares", afirmou Fernando Melo.
A EB1/JI de Valongo, situada na Avenida do Dr. Fernando Melo, irá ter duas salas de pré-escolar, seis para o primeiro ciclo, uma sala de recursos e cantina, prevendo-se que todas as valências entrem em funcionamento no próximo ano lectivo.
A nova escola permitirá a implementação do regime normal naquele estabelecimento e, ainda, na EB1/JI de Susão. "Será, assim, possível o desenvolvimento das actividades de enriquecimento curricular e de actividades extracurriculares", refere uma nota da Autarquia.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Tribunal de Valongo sem espaço nem casa de banho pública
http://jn.sapo.pt/2008/04/29/porto/tribunal_espaco_casa_banho_publica_t.html
Carla Soares
No Tribunal de Valongo, o espaço é pouco para funcionários, magistrados e público em geral. Quem ali se desloca para intervir num processo não tem outra alternativa senão aguardar nas escadarias interiores do edifício ou no passeio da estrada. E, além de não ter sala de espera, o tribunal também não tem casa de banho pública a funcionar e foge a algumas regras de segurança.
As queixas já têm anos mas à medida que estes passam a situação agrava-se. O edifício ainda é novo, com pouco mais de 15 anos. O tribunal funciona ali desde 1995. Uma solução alegadamente provisória arranjada pela Câmara. Acontece que o espaço não era adaptado àquele fim mas destinado a habitação e duas lojas no rés-do-chão. Além deste, tem dois andares e uma cave, com a renda mensal paga pelo Ministério da Justiça a situar-se nos 10 mil euros.
Neste momento, o único problema é o espaço. Porém, quem ali trabalha teme o risco dos pisos superiores poderem ruir devido ao elevado peso dos processos que se amontoam e à grande concentração de pessoas nos andares superiores. Uma vistoria feita ao local, em 2006, pela Câmara de Valongo, apontou para diversas deficiências das instalações. Além da falta de salas de espera e de instalações sanitárias, o tribunal não tem acessos para deficientes nem o sistema de emergência devido. Na cave ficam as celas. No ano passado, o tribunal teve uma praga de ratos.
Ainda há dias, a delegada de Valongo a Ordem dos Advogados, Ana Paula Borges, insistiu nas queixas, garantindo que os presos convivem com ratos. A Câmara disponibilizou, a cerca de um quilómetro, um terreno para construção de um edifício, aguardando uma resposta do Governo.
Fonte do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-estruturas da Justiça nota que a resolução do problema passou a ser orientada, à semelhança de outras comarcas, para a construção de um Campus de Justiça. Programa e caderno de encargos foram remetidos à aprovação do Ministério das Finanças, com vista à abertura do concurso este ano.
Perfil do edifício
Seis dezenas partilham o mesmo espaço
Entre funcionários e magistrados , são cerca de 60 as pessoas que partilham o mesmo edifício. Existem quatro magistrados judiciais, dois de círculo, dois de investigação criminal, num total de oito magistrados.
Salas pequenas e casa de banho encerrada
Os gabinetes são "minúsculos" e sem ventilação, queixa-se quem ali trabalha. E há duas secções de processo que funcionam numa sala com 60 metros quadrados e 16 funcionários. A casa de banho pública funcionava na cave mas, após ter sido "devassada", foi mandada encerrar. Por falta de espaço, ficou por instalar um quarto juízo, já criado.
terça-feira, 15 de abril de 2008
FERNANDO MELO: «As escolas serão primeira prioridade da Câmara»
http://www.avozdeermesinde.com/noticia.asp?idEdicao=139&id=4508&idSeccao=1294&Action=noticia
Com o quarto mandato à frente da Câmara a aproximar-se da sua fase derradeira e as diferenças de opinião em relação a vários vereadores eleitos na sua lista a tornarem-se ainda mais visíveis, era de interesse ouvir da própria boca de Fernando Melo uma palavra sobre o seu mandato, em particular sobre as expectativas que foram geradas e que se goraram, como é visível nesta entrevista – e as perspectivas futuras. Na entrevista prestada a “A Voz de Ermesinde” sobressai a sua vontade de continuar, embora limpando a casa («com uma equipa totalmente renovada», e assumindo uma proximidade estratégica a muitas das políticas de Sócrates (em aspectos da Economia e Educação, por exemplo). Já quanto à vereação socialista, o actual presidente da Câmara considerou-a demasiado hostil, mostrando esperar do PS local uma fuitura maior consonância.
| Fotos URSULA ZANGGER |
Fernando Melo (FM): Pois... Ora bem, a questão é esta: este foi um mandato mais difícil, porque há menos dinheiro, as autarquias debatem-se com dificuldades económicas acrescidas, mas todas, todas as câmaras vivem esse problema. Contudo nós temos um programa que vamos cumprir. Por exemplo, nós vamos fazer tudo o que diga respeito às escolas e ao pré-escolar até ao fim de 2009. Nós contamos, neste mandato, dar resposta ao programa.
É importante e está, aliás, também de acordo com a orientação do Governo, vamos pôr as escolas totalmente prontas, a todos os níveis, no que diz respeito, por exemplo, às cantinas. Vamos fazer cantinas nas três escolas que faltam, que ainda as não tinham ainda...
AVE:... E que são?...
FM: Bela, Gandra e Sampaio. Já estamos a negociar o terreno para a escola de Sampaio. Eu fui lá ainda há dias, com os técnicos, para tentarmos comprar os terrenos circunvizinhos da escola para podermos aumentá-la.
AVE: Acha positivo que os municípios possam ter autonomia para gestão das escolas? Tem os recursos, nomeadamente financeiros para isso?
FM: Bom, o que acontece em todo o mundo civilizado é que são as autarquias a ter a gestão das escolas. Contudo, o que acontece cá é que a gestão passou para as autarquias mas não passou o dinheiro.
Por isso o problema foi um bocado complicado.
Agora, é natural que venha algum dinheiro – estamos convencidos disso –, porque o nosso Governo estabeleceu que todas as escolas têm direito a candidaturas e, portanto, vão ter uma comparticipação.
AVE: Que será no quadro do QREN?
FM: Sim, do QREN. Estamos por isso a preparar as candidaturas de todas as escolas que faltam. Ora, o que é que aconteceu? Este concelho aumentou muito de população, entre 12 mil e 15 mil pessoas, desde que aqui chegámos. Este aumento acentuado aliás aconteceu em quase todas as áreas metropolitanas.
AVE: Antes de ter tomado posse neste último mandato tinha apontado a questão do Ambiente como aquela que se mantinha a prioridade fundamental do município...
FM: E é. Tanto que tivemos o prémio nacional...
AVE: Mas eu pergunto--lhe: E quanto à serra de Santa Justa, nunca mais avança a questão da consagração de um estatuto de protecção, definitivamente?
FM: Pela nossa parte avançou – vejam-se os prémios nacional de Ambiente e um prémio da União Europeia –, o que acontece é que a serra de Santa Justa, no sector de Valongo sofreu uma alteração substancial, melhorou muito, foi feita uma alteração muito acentuada e foi só no concelho de Valongo, os outros municípios não fizeram nada, não houve investimento.
Não sei se sabe que no Verão fazemos espectáculos de teatro na serra...
E temos passeios permanentes com professores da Faculdade de Ciências.
E procuramos preservar algumas espécies...
Agora... também há alguma selvajaria, que não conseguimos evitar.
Temos feito o que é possível fazer e, nesse aspecto, temos estado sozinhos.
Mas ainda na área do Ambiente nós investimos muito em duas áreas, nos rios Ferreira (pelo qual tivemos o prémio nacional do Ambiente) e Leça (o actual projecto Corrente Rio Leça). Somos dos concelhos a investir mais na melhoria dos rios que atravessam o seu território.
AVE: Tinha considerado como fundamental no seu mandato a questão do mercado de Ermesinde. Estamos já com o seu mandato muito avançado e...
FM: Sabe, neste momento, esse é um problema muito complicado! Foi agora aberto um concurso de ideias para o mercado de Ermesinde, mas o problema é complicado por isto: na realidade, nós chegámos a pensar “compô-lo”. Mas todos os arquitectos têm sido unânimes a considerar que ali a solução tem que passar por deitá-lo abaixo.
Por outro lado, hoje, os mercados têm os seus dias contados, na medida em que aquilo que se verifica é que as populações preferem os hipermercados. Porque sempre se distraem, vão para lá, passam lá o dia... E quando são interrogadas, ninguém quer já os mercados tradicionais.
HOJE OS MERCADOS
TÊM OS DIAS CONTADOS
– AS PESSOAS PREFEREM
OS HIPERMERCADOS
PORQUE SEMPRE
Se DISTRAEM...
AVE: Mas ainda mantém aquele projecto de um mercado que pudesse funcionar como um pavilhão de exposições, acolher a Expoval, etc.?
FM: Não, por uma razão muito simples, porque o estudo económico realizado apontava que se pudessem atingir valores proibitivos.
Por isso, o que vamos muito provavelmente fazer anda à volta destes mercados que agora se têm visto lá fora, como Londres, por exemplo, em que há barracas que abrem e fecham, e onde as pessoas que têm as suas actividades económicas instalam aquilo que têm a instalar quando abrem e depois, no fim do dia aquilo fecha.
As orientações que eu dei foi para se estudar um mercado desse tipo e, sobretudo, tentar que ele seja contido dentro de determinados limites, de modo a que não se repita o que se tem verificado nos dias de feira. Por exemplo, uma ambulância num dia de feira não consegue um acesso.
AVE: Também contido orçamentalmente? Tem uma ideia do valor de um equipamento desses?
FM: Estamos à espera que, a partir do concurso que mandámos fazer, nos digam valores mais aproximados.
AVE: Quando vão ser conhecidas as propostas?
FM: O concurso já foi mandado fazer... cada vez menos se vêem mercados do tipo daquele que existe. Não têm viabilidade nem qualquer interesse.
AVE: Em relação a uma questão que foi muito polémica na altura em que ganhou estas últimas eleições – a dos empreendimentos previstos para a Nova Valongo – como é que estão, nomeadamente os projectos do novo tribunal, da futura sede da Câmara?
E não implica com isto tudo a construção do novo hipermercado logo ali ao lado da Biblioteca?
FM: O que acontece é que tudo isso parou, porque os terrenos não eram nossos e verificou-se, em determinada altura, que não se sabia de quem eram...
AVE: Então ainda não se puseram de acordo os proprietários?
FM: ... Estão em tribunal ainda, uns com os outros. Há anos que os proprietários andam em tribunal e o hipermercado que surgiu agora resulta do facto de um dos proprietários ter vendido para esse efeito o terreno. Aquilo que se pretendia, na altura, e que nós tínhamos sonhado fazer, deixou de ter finalidade, porque os terrenos que pensávamos serem da Companhia das Lousas e de um outro proprietário, afinal de contas não era assim, e os proprietários não chegaram a acordo e envolveram-se numa querela jurídica, que dura há anos e que levou à desistência do projecto que se tinha pensado.
AVE: O projecto do Ensino Superior de Valongo está abandonado?
FM: Esse foi o Governo que o abandonou. O ministro da Tecnologia disse que não haveria mais escolas superiores em Portugal nos próximos anos. Portanto, esse acabou.
AVE: E a ideia do metro? Da última vez, até falámos do percurso pelo antigo cinema de Ermesinde...? Estava até reservado um corredor para o traçado no PDM...
FM: O traçados continuam, são mantidos e fazem parte do PDM, é uma garantia nossa a existência dessas linhas. E a gestão do Metro continua a falar nisso, e continuamos convencidos que na terceira fase o metro virá a Valongo.
AVE: E quanto às zonas industriais? Em Campo finalmente irá avançar a Via Estruturante, mas em Alfena, pelos vistos, há algumas dúvidas, pelo menos da parte de alguns vereadores, no que respeita aos processos. Isso não pode atrasar o avanço?
FM: Não, a minha determinação foi no sentido de se avançar... e avançou-se. A contragosto de alguns, mas avançou-se.Porque neste momento a nossa orientação é tentar criar posto de trabalho, riqueza. Estar a fazer um grande investimento no sentido de criar empresas no concelho. É esse o nosso principal objectivo. E está a verificar-se. Sobretudo em Alfena, porque desfruta de uma localização privilegiada, mercê das auto-estradadas que agora a servem e que nos permite pensar que isso vai atrair empresas para aquela zona.
AVE: Atribui mais a essa localização o número de projectos que têm surgido em Alfena? Não são também em parte resultado da dinamização do Executivo da freguesia?
FM: Não. A freguesia envolveu-se muito no processo e tem estado com a Câmara, unindo-se a nós num esforço grande, porque enquanto que Ermesinde não tem possibilidades de expansão, Alfena tem. Ermesinde é extremamente urbano, mas Alfena também e a parte rural está a desparecer, e a tendência será exactamente para desparecer. Portanto, é nessa zona que nós estamos a investir, essencialmente no sentido de criar a tal riqueza, atraindo as empresas.
Em Campo também investimos, mas o Governo então não considerou a zona industrial e ainda hoje não temos autorização do Governo para se poder considerar zona industrial, isto por um lado. Por outro lado, a indefinição no traçado do antigo IC 24 – a A 45 – prejudicou muito a implantação da zona industrial.
AVE: Não acha que aquilo a que se referiu como o “contragosto de alguns” também se prende a alguns cuidados justificados relativamente à forma de fazer as coisas?
FM: Não, havia era a preocupação de impedir as situações. Olhe, nesse aspecto a CCDRN deu-nos razão. Ainda há dias tivemos uma reunião lá, e não mereceu reparo nenhum nem dúvida nenhuma essa questão. Simplesmente há realmente forças [adversas] – e inclusive não são todas forças da Oposição. E o próprio presidente do Partido Socialista estava connosco nesta questão, é importante que se diga!
O presidente do Partido Socialista discordou da postura dos elementos da vereação, porque também estava interessado em atrair indústria para aqui para o concelho. As posições, dentro do próprio Partido Socialista dividiram-se...
AVE: Mas também dentro do PSD...
FM: Sim, dentro do PSD também.
AVE: Aliás, essa é uma questão que eu queria precisamente colocar-lhe. Da última vez houve uma remodelação grande do Executivo, só o senhor engenheiro José Luís Pinto o acompanhou do Executivo anterior. E tinha-me dito que era necessário renovar e rejuvenescer, mas que havia um entendimento muitíssimo bom mesmo com aqueles que tinham saído...
FM: Não, na última modificação não ficou ninguém, eu fiquei com os pelouros principais. Tomei essa posição em relação a todos.
AVE: Mas naquela altura tinha considerado que havia um excelente ambiente, uma «relação de respeito e boa camaradagem», e... vou citá-lo: «os vereadores que saem estão sempre presentes em todos os meus actos e dão-me um apoio total». Esse apoio total não o tem tido agora. Antes tinha!...
FM: Tenho tenho! Dá a impressão que não tem vindo às sessões da Câmara. Não tem reparado que os vereadores agora estão comigo, a apoiar-me totalmente?
EU ACHO
QUE OS VEREADORES
REFLECTIRAM E AGORA
ESTÃO COMIGO
A APOIAR-ME
TOTALMENTE
AVE: Acha, então, que houve uma compreensão dessas questões?
FM: Eu acho que os vereadores reflectiram. Houve um que me disse mesmo que reflectiu. Portanto os vereadores reflectiram [mesmo]...
AVE: ... E recuaram?
FM: Os vereadores reflectiram, por isso é que eu me estou a rir, estou a rir-me das suas dúvidas...
AVE: Eram públicas...
FM: Exacto! Eu nunca o escondi. Tudo se processou e tudo se está a processar com toda a nitidez. E agora, veja, está tudo calmo. Os vereadores todos a apoiarem--me nas minhas decisões, sem problemas, tudo bem...!
AVE: Acha então que está a meio de um projecto, de um sonho, ou está na hora de partir? Porque me lembro da última vez me ter dito que em circunstância alguma punha a hipótese de continuar.
FM: Mas agora é exactamente o contrário.
AVE: E porquê?
FM: Porque também reflecti, e senti-me entusiasmado com as atitudes das pessoas que vieram cá apoiar-me. Olhe, vieram cá dois grupos, um de Ermesinde, de personalidades independentes, outro de Alfena, com pessoas de todos os partidos – estas foram as pessoas que aí ganharam as últimas eleições. Vieram-me dizer: o nosso candidato chama-se Fernando Melo. O grupo de Ermesinde também me disse a mesma coisa...
AVE: Quem eram essas pessoas de Ermesinde?
FM: Foram algumas pessoas, mas não lhe vou dizer nomes. Mas posso-lhe dizer que as pessoas de Ermesinde eram próximas do PSD, mas as de Alfena não.
E depois também o PSD me disse que eu seria o candidato.
AVE: O PSD distrital?
FM: Sim, distrital. E concelhio.
AVE: Mas aí não tinha dúvidas. Tinha?
FM: (risos) Não. Não tinha.
Mas este tipo de atitudes e também a postura dos funcionários da Câmara – por exemplo os directores de Serviço vieram todos ter comigo, todos, manifestarem-me solidariedade – foi determinante.
AVE: Naquela fase mais difícil?
FM: Exactamente! E foi isso que me levou a alterar a minha posição.
Eu tinha resolvido não ser candidato, mas perante esta situação, perante essa pressão e as atitudes que me foram manifestadas, resolvi que iria ser novamente candidato.
AVE: As questões que têm estado em cima da mesa, muitas delas têm estado relacionadas com o PDM. Em que estado está a revisão do PDM? Vai finalmente avançar?
FM: Dentro de um ano está, é esse o compromisso assumido comigo pelo Dr. Paulo Pinho. Estará totalmente pronto.
AVE: Para além do que obriga a tramitação oficial, tem em vista promover algum debate a propósito?
FM: Exactamente, a lei determina.
AVE: Estava a perguntar-lhe para além da obrigatoriedade da lei, por exemplo um debate sobre a regulação do território.
FM: Não pensei propriamente nisso, porque a legislação já exige um debate e ele tem que ser feito. Na altura logo veremos se há vantagens em ampliarmos a discussão, em envolvermos mais pessoas, isso só será de considerar depois.
AVE: O Prof. Paulo Pinho já apontou alguma questão que seja quente, neste PDM?
FM: Não, ele formou a equipa, que são seis pessoas que têm estado a trabalhar cá e para já isso ainda é um bocado prematuro.
AVE: Uma questão de que os munícipes se queixam muito é a da falta de transporte dentro do concelho...
FM: Eu reuni aqui os concessionários que atravessavam o concelho e tentei com eles, chegar a um acordo. Não foi possível. Aqui havia duas soluções distintas: Adquirirem-se os autocarros e portanto ficar a Câmara a fazer os transportes, o que não era possível, porque envolveria verbas astronómicas, para uma Câmara destas. Por isso o ideal era [a outra solução], chegar-se a um acordo entre os diferentes concessionários. Havia, sobretudo dois grandes concessionários, que sentámos à mesa, houve uma série de conversas, mas não [se chegou a acordo]. Eles sentem-se com direitos, porque têm licenças dadas pelo Governo e depois ninguém quer abdicar. Eu não consegui resolver esse assunto. E andámos imenso tempo a tentar.
AVE: Não há então solução para esse problema?
FM: Pelo menos à vista, porque por um lado não há dinheiro para conseguir adquirir uma frota, por outro os concessionários não se entendem e têm a lei por eles...
AVE: Passando agora a outro aspecto...A contenção orçamental necessária para o equilíbrio financeiro da Câmara tem impedido uma política cultural mais arrojada? Algumas das associações culturais queixam-se de que os apoios são poucos...
FM: O que acontece é que a nossa actividade cultural é considerada das maiores do distrito. A própria Câmara do Porto reconheceu isso já. Simplesmente não está é muitas vezes de acordo com as associações, que têm uma visão diferente do que é a Cultura. Por exemplo, eu estou cá a trazer os escritores e, isso não tem nada a ver com os objectivos da maior parte das associações. Para elas, muitas vezes o que importa passa por ranchinhos ou coisinhas desse tipo, etc., que também têm a sua razão de ser, mas que não têm nada a ver com a nossa identificação. Por exemplo, a nossa aposta no Teatro é uma coisa que não se identifica com a maior parte das associações. A nossa aposta na Música também não se identifica com a maior parte das associações.
AVE: Isso significa que estaria aberto se lhe fizessem propostas que fossem consideradas de qualidade?
FM: Exactamente. O problema é esse. E nesse aspecto o concelho de Valongo é considerado dos concelhos que têm uma actividade cultural mais evoluída. E começa logo pelos espaços.
AVE: Também há quem reconhecendo uma actividade cultural interessante no concelho de Valongo, já no plano desportivo, comparando-o por exemplo com o concelho da Maia, considere que se investe pouco no Desporto.
FM: Se calhar nesse aspecto [poderão ter alguma razão]... A minha tendência é para investir mais na Cultura do que no Desporto, é verdade. Mas, por exemplo, ainda agora temos estado a trabalhar – e nós temos um pavilhão em cada freguesia... – mas estávamos a tentar fazer um outro pavilhão em Ermesinde, porque achamos que um [só] pavilhão gimno-desportivo para Ermesinde é pouco. Mas nós chegámos a dar terreno ao CPN, para eles fazerem...
AVE: Num número muito recente do nosso jornal publicámos uma entrevista com o actual presidente do CPN, onde ele até refere um eventual projecto de permuta entre o futuro pavilhão do CPN e o actual pavilhão gimno-desportivo de Ermesinde... Que acha dessa possibilidade?
FM: Se calhar isso não vai acontecer. Muito dificilmente, até porque neste momento admite-se até a hipótese de a Câmara comprar o terreno que ofereceu ao CPN, para fazer escolas, porque temos dificuldades em terrenos para escolas.
AVE: E então como se resolveria a questão dessa associação desportiva, que ia ficar sem o seu pavilhão novo? Tinha que ser mudado para outro sítio?
FM: Não, como pus o problema ao Sr. Mouta, do CPN, foi se ele estaria disponível para nos vender o terreno que nós tínhamos dado ao CPN. E ele não se pôs de fora.
Porque agora a nossa primeira prioridade são as escolas, o que achámos fundamental e o que também é a ideia do Governo. Já estamos a tratar do terreno em Sampaio, estamos a tratar do terreno na Palmilheira, estamos a tratar do terreno em Sonhos.
AVE: E então a situação da nova EB 2,3 para Ermesinde?
FM: Quanto a isso o Governo desistiu da ideia, porque iriam aumentar [a actual EB 2,3 de S. Lourenço] em altura. E se calhar, havendo esse terreno, nós vamos comprar, porque se o Governo não o quer, nós vamos aproveitá-lo. À partida...
Por acaso tenho pena que [o Governo] não tenha querido, porque era importante. Resolver, aumentando em altura a [Escola de S. Lourenço] não acho que seja o o ideal.
Para os jovens era muito mais alegre ter o espaço em extensão. Mas pronto! O Governo já disse rotundamente que não! Então vamos aproveitar nós. Mas é um esforço financeiro brutal!
AVE: E existem recursos financeiros neste momento para se abalançar a isso? São necessários grandes mecanismos de engenharia financeira?
FM: Vai ter de envolver engenharia financeira sim.
AVE: E isso não vai pesar muito sobre os próximos mandatos?
FM: ... Não... Não irá. Se calhar, não vamos é poder fazer outras coisas que estávamos a pensar, vamos ter de desistir de algumas coisas, mas a primeira prioridade são as escolas!
DEPOIS DAS ESCOLAS
AS PRIORIDADES SERÃO
CONSTRUIR OS PAÇOS
DO CONCELHO,
MELHORAR
AS ACESSIBILIDADES
E INSTALAR
NOVAS EMPRESAS
AVE: E já estão definidas segundas prioridades, digamos assim?
FM: Sim, por exemplo os Paços do Concelho.
AVE: Voltando à questão da Economia, para lá das zonas industriais a Câmara tem em vista lançar algumas medidas sociais, nomeadamente contra o desemprego?
FM: A minha grande preocupação é criar emprego. Porque embora o desemprego, no concelho de Valongo, seja até um bocadinho inferior ao da média nacional – não passa dos 7%, ao contrário do que por vezes se ouve nas reuniões de Câmara, que não tem nada a ver com a realidade –, o que acontece é que a nossa preocupação é precisamente tentar atrair empresas ao concelho. Essa é a nossa aposta e, nesse aspecto, o próprio Partido Socialista também está de acordo comigo.
A orientação do Partido Socialista, não propriamente dois vereadores, também é a mesma, trazer para cá em_presas e criar emprego. E eu vou continuar a bater--me por isso. Os nossos objectivos relativamente ao futuro, depois das questões da Educação, serão tentar fazer os novos Paços do Concelho, se conseguir viabilidade económica e deslocá-los daqui, embora mantendo-os na cidade de Valongo, mas aproximando-os mais da zona ocidental; melhorar as acessibilidades entre as cidades e vilas do concelho; e a instalação de novas empresas. Estes são os grandes objectivos.
AVE: A ligação Valongo-Ermesinde continua a ser um projecto firme?
FM: É, se calhar não poderá ser como eu cheguei a pensar, a princípio, porque isso implicava uma obra de arte de tal montante que acabámos por desistir, mas aquilo que está feito, na Avenida dos Lagueirões, na passagem, e o alargamento daquela via que vai para Alfena e Ermesinde, é um objectivo que temos e que vamos fazer, começando se calhar ainda este mandato, ou pelo menos no início do próximo, a ligação Valongo-Alfena e Valongo-Ermesinde.
AVE: Está certo que vai ganhar as próximas eleições?
FM: Eu estou convencido disso.
AVE: Com uma equipa renovada?
FM: Com uma equipa totalmente renovada.
domingo, 6 de abril de 2008
Compradores preferiram casas novas e de luxo no fim de 2007 (construção nova em Valongo)
http://jn.sapo.pt/2008/04/06/porto/compradores_preferiram_casas_novas_e.html
Carla Sofia Luz
A maioria das habitações, vendidas nos últimos três meses do ano passado na Área Metropolitana do Porto, é de gama alta. O valor médio das casas alienadas foi superior a 206 mil euros. Os compradores procuraram, sobretudo, empreendimentos novos. No Porto, 31% das habitações adquiridas no quarto trimestre de 2007 são T1 luxo ou de tipologias inferiores. Neste concelho, continua a vender-se mais habitações T2 (35%), mas, em muitos casos, os vendedores tiveram de fazer um desconto nos preço. O valor médio de venda é inferior ao de oferta. Em Gaia predominam a oferta e a venda de imóveis T2, enquanto, em Matosinhos, grande parte das alienações foi de T3 (31%) e de T1 (27%).
As conclusões são retiradas do Sistema de Informação Residencial - uma ferramenta da Imométrica que reúne a informação das transacções de vários mediadores, promotores e avaliadores imobiliários da região. No mercado dos imóveis de luxo, os mais caros encontram-se no Porto. Foz e Nevogilde são as zonas mais valorizadas da Área Metropolitana (as habitações da gama alta custam, em média, 3646 euros por metro quadrado), seguidas de Massarelos, no Porto. Senhora da Hora, em Matosinhos, ocupa a terceiro posição, superando Aldoar (Porto). Na freguesia matosinhense, o valor médio das casas de luxo ascende a três mil euros por metro quadrado. A única área de Gaia que figura nesta lista é a do Litoral Norte, com preços médios da ordem dos dois mil euros por metro quadrado.
Mais oferta em Gaia
As estatísticas da base de dados LardoceLar/Imométrica - são indicadores da evolução do mercado imobiliário para as empresas que foram apresentados na última edição do salão Imobitur, na Exponor - revelam a existência de mais de 66 mil casas à venda na Área Metropolitana. Gaia é o concelho com maior oferta com quase 17 mil imóveis no mercado, seguido do Porto, Matosinhos e Maia (ler infográfico). Póvoa de Varzim e Espinho estão no fundo da lista.
"A taxa de oferta na Área Metropolitana ronda os 11%. A Maia está em primeiro lugar com uma taxa de 16%. Cresceu exponencialmente em termos de oferta de alojamento. Em 2007, tinha 9186 casas à venda. A Maia duplicou o seu parque habitacional nos últimos 15 anos. Também tem crescido muito em termos de usados", especificou Luís Ferreira. Há menos imóveis usados à venda do que em 2006, mas, ainda assim, representam 58% da oferta residencial na região. Nos municípios de Vila do Conde (66%), Gondomar (64%), Maia e Póvoa de Varzim (63%), o peso dos usados na oferta é maior do que noutros concelhos da Área Metropolitana do Porto.
Mais de metade das habitações à venda em Espinho (62%) e em Valongo (52%) é construção nova. No Porto e Gaia, corresponde a 43%. Em Matosinhos, a percentagem é de 42%. Mas as estatísticas da LarDoceLar/Imométrica provam que, nos últimos três anos, venderam-se menos imóveis usados em comparação com a quantidade de casas em segunda mão que entram no mercado para alienar. Ou seja a taxa de saída tem sido sempre inferior à de entrada. Em 2007, a taxa de entrada de casas novas foi de 45% e a de saída de 41%.
E é no Porto que as habitações são mais caras, acima da média da região. O preço médio foi de 1645 euros por metro quadrado, ligeiramente inferior ao valor do ano passado. Matosinhos ocupa a segunda posição, seguido de Espinho. Embora seja o município com mais casas à venda, Gaia surge em sexto lugar com um preço médio de 1103 euros por metro quadrado.